ARTIGOS
O Yoga para mim
por Noemia Wainer(*)
O início
Meu encontro com Iyengar yoga foi inteiramente por acaso, em país e cidade completamente improváveis, África do Sul e Cidade do Cabo no agora distante ano de 1976! É preciso relembrar que BKS Iyengar e seu método foram levados para o Ocidente pela mão do grande violinista Yehudi Menuhim, que encontrou BKS na India em 1949 ! Pouco a pouco o sistema “Iyengar yoga” foi sendo reconhecido, primeiramente na Grã-Bretanha e, após a publicação do livro “Luz na Yoga”, em 1966, já havia praticantes e professores em vários países, entre os quais se encontrava a África do Sul.
Na qualidade de Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores, fui removida da Embaixada em Washington para o Consulado do Brasil em Cape Town, motivo pelo qual eu me encontrava naquela cidade, onde, além das tarefas próprias das minhas funções, participei de um grupo de dança moderna. No mesmo estúdio onde ensaiávamos, uma professora de yoga alugou o espaço para dar suas aulas. Por curiosidade, comecei a freqüentar suas aulas e imediatamente fiquei fascinada pelo sistema. Aos poucos fui me informando sobre esse estilo particular de yoga, comprei e li “Light on Yoga”de cabo a rabo e cheguei rapidamente à conclusão de que tudo o que estava naquela obra magnífica era da maior importância e que faria parte da minha vida para sempre!
Como se diz, o resto é história… Removida para Brasília em 1976 , e ainda com pouca experiência e conhecimento no sistema, deixei a prática até 1981, quando, agora no Consulado do Brasil em São Francisco, reiniciei meus estudos de Iyengar yoga com Manouso Manos, então um jovem barbudo e intenso, que dava suas aulas numa pequena Academia de Ginástica em São Francisco!
Mas, aos poucos, e após a inauguração do Iyengar Yoga Institute de São Francisco, o sistema Iyengar foi sendo cada vez mais reconhecido, e meu professor, Manouso, pela sua dedicação, talento, compaixão e a proximidade com Gurudji, foi crescendo, juntamente com o número de estudantes que passaram a freqüentar suas aulas. Manouso, como todos sabem, já veio ao Rio pela 4ª. vez!
O começo do Iyengar Yoga no Brasil
Em 1989 fui removida mais uma vez para Brasília. Naquele momento, posso dizer que Iyengar yoga era totalmente desconhecido no Brasil. Já bem mais experiente, comecei a dar aulas para amigos e colegas do Itamaraty. Não posso deixar de mencionar o impacto que foi para esses primeiros alunos de Iyengar yoga em Brasília (e no Brasil) o contacto com a metodologia inigualável do sistema! Para Deborah Weinberg, uma jovem bióloga casada com um diplomata, que também freqüentava minhas aulas, foi a descoberta de um novo caminho. Logo percebeu que, a fim de aprofundar seu conhecimento, teria que dedicar-se completamente ao estudo do sistema e para tal foi para São Francisco onde permaneceu por 4 anos, estudando com Manouso e fazendo o curso de preparação de instrutores de Iyengar yoga oferecido pelo Iyengar Yoga Institute de São Francisco.
Deborah foi a pioneira aqui no Rio de Janeiro desse maravilhoso instrumento colocado por BKS Iyengar ao alcance de quem não tem medo em enfrentar os desafios propostos pela yoga e que pode proporcionar uma verdadeira e positiva mudança de vida e de concepção do mundo! No entanto, tenho o maior orgulho em dizer que fui sua primeira professora e que por meu intermédio, a linhagem de praticantes de Iyengar yoga no Rio de Janeiro, continuou com Deborah e as centenas de alunos que passaram por suas mãos já há mais de 10 anos!
Os efeitos do Iyengar Yoga
Gostaria de incluir as palavras de Yehudi Menuhim no prefácio de Light on Yoga que definem magistralmente os benefícios que vem da prática sincera, despojada, livre do espírito de competição, tão em evidência nas nossa cultura:
“Trata-se de uma técnica adequada de maneira ideal para a prevenção de doenças físicas e mentais e para proteger o corpo, desenvolvendo um sentido de confiança em si mesmo. Pela sua própria natureza a yoga está fortemente conectada às leis da natureza: respeito à vida, verdade, paciência são todos fatores indispensáveis para conseguirmos uma respiração tranqüila, espírito calmo e uma firme força de vontade”.
A prática de Iyengar yoga tem sido para mim caminho, apoio, aprendizagem constante, saúde, humildade, beleza estética, onde encontrei pessoas extraordinárias pela extraordinária dimensão humana que a yoga oferece aos seus praticantes sinceros!
Namaste!
Sobre Patanjali
por Leonardo dos Santos(*)

Patanjali é reconhecido como uma das figuras históricas mais relevantes quando se fala do tema Yoga.
Embora sua origem seja questionável, algumas teorias são apresentadas para explicar seu nascimento e sua importância na história do Yoga.
Uma das histórias referentes ao seu nascimento retrata Patanjali como a encarnação de Ādi Śeṣa (o Deus das serpentes).
Nessa conhecida versão, o senhor Visnu estava deitado sobre Ādi Śeṣa contemplando a dança de Shiva. Visnu estava tão absorvido na dança de Shiva que, em um determinado momento, seu corpo começou a vibrar e tornar-se pesado. Shesa percebeu que algo diferente havia ocorrido. Quando Shiva encerrou sua dança, Visnu logo voltou a ficar mais leve. Shesa, no entanto, perguntou a Visnu o que havia ocorrido, e este lhe falou que a dança de Shiva fez com que seu corpo vibrasse de determinada maneira, fazendo com que ele ficasse mais pesado.
Shesa ficou maravilhado e expressou o desejo de aprender a dança para glorificar seu senhor. Visnu, então, disse que, no momento adequado, Shesa iria encarnar na Terra e a humanidade seria banhada por suas bênçãos. Assim, ele poderia realizar seu próprio desejo de aprender a dança de Shiva.
Adi Sesa começou a meditar sobre quem seria sua mãe na Terra. Durante sua meditação, teve uma visão de uma yogini chamada Gonika, que rezava pedindo um filho digno com o qual pudesse compartilhar seu conhecimento.
E assim aconteceu.
Preocupada pelo fato de ainda não ter tido um filho, a yogini Gonika se dirigiu ao deus Sol (Surya), testemunha vivente de Deus na Terra. Com uma oferenda, ela pegou um punhado de água e meditou. Quando estava a ponto de oferecer a água ao Sol, abriu os olhos e se surpreendeu com o que viu entre as palmas de suas mãos. Nelas se encontrava uma pequena serpente. A serpente tomou a forma de um menino, que se ajoelhou em frente à Gonika e pediu para que o aceitasse como seu filho. Gonika deu a ele o nome de Patanjali.
Pata significa “cair ou caído”, Anjali “é o gesto realizado com as mãos unidas para saudação”.
A data do nascimento de Patanjali ainda é incerta, tendo em vista que várias obras em diferentes épocas são atribuídas a este autor. Entre as obras atribuídas a Patanjali, encontramos: os Yoga Sutras, um texto de gramática e um texto sobre medicina, atribuído a Charaka (um dos nomes de Patanjali).
Conta a lenda que, após ter disseminado o seu conhecimento pela Índia, Patanjali, no final de sua vida, teve o vislumbre de Shiva na sua forma de Nataraja (o dançarino cósmico). Até hoje, bailarinos e bailarinas prestam homenagem a Patanjali, considerando-o como seu grande mestre.
(*) Leonardo dos Santos é estudante de Filosofia da PUCRS, professor e praticante de Yoga. Atualmente, frequenta a Formação em Iyengar Yoga em São Paulo conduzida por Ana Luisa Matsubara, da qual também participa como professor convidado de Filosofia. Dedica-se ao estudo de Patanjali, sânscrito, filosofia antiga e lógica.
Referências:
ZIMMER, Heinrich. Filosofias da Índia, Ed. Palas Athenas, 3°ed. 2005.
IYENGAR, B.K.S. Luz sobre los yoga sutras de Patanjali, Ed. Kairos, 4° ed. 2009.
DASGUPTHA, Surendranath. A history of Indian philosophy Vol. 1, Cambridge at the University press. 1957.

